sexta-feira, 23 de setembro de 2011

INDIOS PAUMARI

Introdução
Os Paumari eram conhecidos como os "nômades do Purus", devido a mobilidade impressionante de seus grupos locais e a suas habitações tradicionais, construídas em cima de balsas, chamadas "flutuantes". Pescadores das várzeas, os Paumari são um dos poucos povos indígenas do médio rio Purus que conseguiram sobreviver sem confrontos armados nos dois ciclos de borracha, que arrasaram outros povos da região em meados do século 19.

Nome
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A autodenominação é Pamoari, mas na comunicação com os brancos e com outras etnias indígenas eles geralmente usam a denominação Paumari. Pamoari tem vários significados: "homem", "pessoa", "povo", mas também "freguês", o que pode estar relacionado com as relações dos Paumari com os comerciantes da região. Outros nomes que aparecem na literatura são Kurukurú, Palmari, Pamarí, Pammari, Purupuru, Wayai, Yja'ari.

Segundo o coronel Labre, um dos grandes seringalistas do Purus no século 19, os Paumari eram chamados de Purupuru, que significa "pintados" em nheengatu (língua geral amazônica), devido a uma doença que lhes provocou manchas na pele, principalmente nas extremidades mais expostas ao contato humano. Essa doença foi observada por vários cronistas do século 19 (por exemplo, por Gustav Wallis e Euclides da Cunha), pelos quais foi atribuída aos hábitos alimentares dos Paumari, marcados pelo consumo de peixes e quelônios.

Língua
Os Paumari chamam sua língua de Pamoari. Ela pertence à pequena família Arawá da Amazônia Ocidental. Até agora não foram descobertas línguas próximas da mesma família. Os conhecimentos sobre ela baseiam-se quase que exclusivamente nos estudos realizados pelas missionárias Shirley Chapman, Mary-Anne Odmark, Meinke Salzer e Beatrice Senn, da SIL (Sociedade Internacional de Lingüística). Quase todos esses estudos foram feitos na área do Lago Marahã, mas parece que há algumas variações dialetais entre o Pamoari desta região e o dos rios Ituxi e Tapauá. Quase todos os Paumari falam também o português e são bilíngues, sendo que em muitas ocasiões mudam de uma língua para outra na mesma frase.

Localização
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A região habitada pelos Paumari é exclusivamente a bacia do médio rio Purus com seus afluentes, como os rios Ituxi, Sepatini e Tapauá, no estado do Amazonas. Os Paumari são conhecidos por sua orientação aquática, o que se manifesta nos habitats tradicionalmente preferidos: várzeas, rios e lagos. As formas de vegetação predominantes nesses habitats são florestas ombrófilas densas aluviais de terraços e de planícies periodicamente inundadas. O estabelecimento de assentamentos permanentes na terra firme é um fenômeno recente de mudança cultural externamente influenciada.

As zonas ecológicas preferidas para construir aldeias são margens de rios com praias fluviais, ilhas de terra firme nas várzeas e áreas não alagáveis na interface entre as planícies fluviais alagáveis e a terra firme, denominadas na região de "pé da terra firme".

Os registros históricos indicam que a região do médio Purus já era habitada pelos Paumari na época da chegada dos primeiros colonos brancos, mas os diversos grupos locais realizaram deslocamentos e migrações consideráveis dentro desta região nos séculos passados.

Os Paumari são os únicos habitantes da Terra Indígena Paumari do Lago Manissuã, no entanto nas outras terras dividem o espaço com os Apurinã (nas TIs Caititu, Paumari do Cuniuá, Paumari do Lago Marahã, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Rio Ituxi), os Jamamadi (na TI Caititu) e os Katukina (TIs Paumari do Cuniuá e Paumari do Lago Paricá).

Não há dados sobre casamentos interétnicos, salvo em poucas comunidades.

População
Em 2000, Schröder estimou, a partir de um cruzamento dos dados da Funai, da Opan (Operação Amazônia Nativa), do PPTAL e de suas notas de campo, a população paumari em cerca de 870 indivíduos. Segundo dados posteriores de Bonilla, a população da área do Marahã e do Ituxi era de aproximadamente 620 pessoas em 2002, e de aproximadamente 900 pessoas no total, em todas as Terras Indígenas Paumari.

Em relação às taxas de natalidade e mortalidade, por enquanto, há somente estatísticas de algumas comunidades das Terras Indígenas Paumari do Lago Marahã e Manissuã. Schröder registrou taxas anuais médias de natalidade de 2,6 a 3,8% para os anos 1996 a 2000, dependendo da comunidade.

A antropóloga Luciene Pohl, da Funai, por sua vez, registrou um crescimento da população paumari na região do Rio Tapauá de 127 para 175, de 1985 a 1997, o que corresponde a 37,8% em 12 anos. Pohl também calculou que 62,8% da população paumari daquelas terras são representados pelas faixas etárias de 0 a 20 anos. Em nossos censos, as faixas etárias de 0 a 19 anos representam de 43,3% a 65,9% da população em diversas comunidades.

Em 2009, segundo dados de Bonilla, os Paumari da região do Tapauá (TIs Paumari do Lago Manissuã; Paumari do Lago Paricá e Paumari do Rio Cuniuá) somavam 204 pessoas.

Os dados mais recentes da Funasa (2010) estimam a população total em 1.559 pessoas, incluindo os que se encontram nas cidades no entorno das terras e em áreas apurinã.

Histórico do contato
O território tradicional dos Paumari, segundo fontes históricas, incluiu margens de rios, lagos e os próprios rios: no médio Purus até a boca do Rio Jacaré, na boca do Rio Tapauá e no Rio Ituxi.

Segundo autores como Rivet & Tastevin e Métraux, eles são descendentes de uma subdivisão dos antigos Purupuru, hoje desaparecidos, que habitavam, no século XVIII, a região da boca do Purus até a foz do Ituxi. Os últimos remanescentes dos Purupuru são mencionados em meados do século XIX entre o lago Jary (Panará-Mirim do Jary) e o rio Paraná-Pixuna, afluente direito do baixo Purus, e na boca do Ituxi. Outra subdivisão antiga dos Purupuru, os Juberi (Jubirí, Yuberí), foi localizada no baixo Tapauá, nas margens do lago Abonini e nas margens do médio Purus antes da boca do Mamoriá-Açu.

Os Paumari encontram-se em contato com os brancos há pelo menos dois séculos. Eles são mencionados em fontes históricas pela primeira vez em 1845. Naquela época, vários grupos já foram explorados na extração de "drogas do sertão" pelo comerciante Manoel Urbano da Encarnação, que controlava o médio Purus.

Em 1847, o naturalista francês Castelnau observou vários grupos paumari do Rio "Oiday" até o Rio Sepatini. Segundo este autor, eles viviam principalmente nas praias e não se dedicavam à agricultura. As habitações principais eram grupos de jangadas, com uma jangada por "família", e a comunicação entre elas era realizada por meio de pirogas. Também havia casas em terra firme. Os Paumari não usavam roupas, mas apenas pintura corporal.

Em 1862, o naturalista alemão Gustav Wallis notou a primeira "maloca" dos Paumari na foz do Rio Jacaré. No Rio Arimã, ele observou 600 Paumari e Juberi, reunidos por Manoel Urbano da Encarnação, fazendo um grande roçado e levantando uma capela, no lugar onde o Frei Pedro da Ceriana tencionara formar a missão.

As primeiras descrições científicas mais detalhadas dos Paumari são do viajante inglês Chandless, que os retrata como pacíficos e alegres, dedicando muito tempo aos cantos. Também os caracteriza como povo aquático, dando-se pouco à agricultura e plantando somente mandioca, macaxeira e banana, mas não produzindo farinha de mandioca, embora gostassem dela e procurassem obtê-la dos comerciantes. Eram bons pescadores e atiradores de flecha, com a qual matavam peixes e tartarugas, mas maus caçadores. A alimentação baseava-se em peixes e quelônios. Numa ocasião, Chandless observou mais de 60 canoas flutuando rio abaixo, à caça de tartarugas, indo em cada uma delas uma mulher remando e um homem de pé, na proa, à espreita do aparecimento de quelônios.

Segundo o mesmo autor, os Paumari viviam a maior parte da estação seca em bancos de areia, construindo "choupanas" de talos de palmeira, quando se demoravam por muito tempo, ou ranchos simples de folhas de palmeira, em forma semicilíndrica. Na época da enchente, no entanto, retiravam-se para os lagos, fazendo suas "choupanas" sobre jangadas ancoradas no meio dos lagos para evitar os insetos.

A própria cidade de Lábrea foi fundada em território Paumari. Estes foram explorados pelo "coronel" Labre, fundador do lugar, como produtores de borracha e fornecedores de peixes, tartarugas e ovos de quelônios. Na época do primeiro ciclo da borracha, as cidades na Amazônia foram iluminadas por lampiões que funcionavam com manteiga e óleo feitos de ovos de quelônios, o que explica o interesse no trabalho dos Paumari como fornecedores desse produto.

Depois das viagens do etnólogo americano Steere na região, entre 1873 e 1901, este descreveu os Paumari como reduzidos por epidemias a umas poucas centenas de indivíduos, levando uma vida nômade ao longo do Purus e vagando de seringal para seringal. E, finalmente, temos os textos do etnólogo alemão Ehrenreich, que localizou grupos nos seringais do Coronel Luiz Gomes, descrevendo-os como maltrapilhos e entregues ao alcoolismo.

No final do século XIX, os Paumari tinham perdido grande parte de seus territórios tradicionais de pesca e caça aos quelônios, porque as praias fluviais foram controladas e exploradas pelos donos dos seringais. Eles perambularam em pequenos grupos e passaram a ser considerados como os índios mais "vadios" da região. A palavra "Paumari" tornou-se naquela época um sinônimo de malandro e preguiçoso.

A despeito destes estereótipos negativos, não se sabe nada de expedições armadas contra os Paumari. Pelo contrário, parece que eles foram integrados no sistema de patronagem sem oferecer maiores resistências ostensivas. Sua mobilidade e sua inconsistência no trabalho talvez fossem suas manifestações específicas de resistência pacífica e sem confrontos.

Se já não se sabe muito sobre a etno-história Paumari do século XIX, as informações sobre ela tornam-se ainda mais raras no século XX. As relações interétnicas com a sociedade envolvente estão marcadas pelos estereótipos citados, que foram mantidos até hoje, e por dependências materiais e assistenciais dos "brancos", os quais são chamados jara. Os estereótipos negativos de serem preguiçosos e inconstantes com relação ao trabalho dificultam as relações econômicas e empregatícias, em particular no meio urbano.

As relações com outros povos indígenas geralmente são pacíficas, embora se possa observar tensões sérias nas relações com os Apurinã em questões de territorialidade, nos casos em que comunidades Paumari e Apurinã são vizinhas nas mesmas terras. Informantes Paumari nas aldeias Santa Rita e Crispinho, na terra Paumari do Lago Marahã, nos falaram que antigamente os Paumari tinham medo dos ataques dos Apurinã e sempre estavam prontos para pular na água e se esconder atrás das jangadas.

Atividades econômicas
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O ciclo econômico anual está marcado pela grande mobilidade dos grupos locais e seus deslocamentos sazonais entre diversas zonas de exploração (terra firme e várzea, praias e castanhais). Ele é determinado pelo regime pluvial regional e pelos níveis de água correspondentes.

A pesca nos rios, igarapés, igapós, lagos e lagoas é a base do auto-sustento. Os Paumari pescam o ano inteiro com técnicas diversas e se alimentam de peixes diariamente. Outros animais aquáticos preferidos são os quelônios ("bichos de casco"), já bastante rarefeitos no médio Purus. A pesca sempre era a atividade mais descrita e pouco se sabe sobre a exploração da terra firme pelos Paumari, já que autores antigos não falam sobre o que os Paumari faziam nos meses de escassez de peixes.

A agricultura é praticada tanto na várzea quanto na terra firme, sendo a mandioca a principal planta cultivada. A agricultura desempenhava um papel irrelevante nos textos antigos sobre os Paumari, mas a expedição dos biólogos norte-americanos Ghillean Prance, David Campbell e Bruce Nelson à região do Lago Marahã revelou uma situação contrária, por descobrir mais de 14 variedades de mandioca nas roças, o que não se esperava de uma etnia caracterizada como nômade. O antropólogo Peter Schröder (autor deste verbete) e o ecólogo Plácido Costa Júnior, no entanto, levantaram informações sobre 28 variedades plantadas. Além da mandioca, os Paumari plantam até mais de 30 culturas diferentes, como macaxeira, cará, batata-doce, ariá, taioba, milho, maxixe, feijão, jerimum e uma série de fruteiras e palmeiras.

Os Paumari contemporâneos, além de ser agricultores, também cultivam diversas fruteiras, legumes e plantas medicinais nos quintais. Eles também coletam uma série de frutas silvestres para o autoconsumo e matérias-primas (principalmente cipós e enviras) para a construção de casas, embarcações e a fabricação de diversos objetos . Bebidas são produzidas com frutos de palmeiras (como açaí, bacaba ou patauá) e a castanha-do-pará também é apreciada como alimento. Os Paumari não são conhecidos como bons caçadores, embora se saiba que eles caçam esporádica e espontaneamente, principalmente no caso de encontrar algum animal, quando saem para pescar.

Como esse povo mantem relações permanentes com a sociedade envolvente e se tornou dependente de seus produtos materiais, diversas atividades são voltadas para a comercialização de produtos pesqueiros (peixes e quelônios) e extrativistas (castanha-do-pará, copaíba, sorva, látex e madeiras-de-lei) em troca de bens industrializados básicos (alimentos, têxteis, ferramentas, motores, combustíveis e outros).

Nestas relações, muitas vezes não recebem dinheiro nenhum, sendo explorados de forma escandalosa por regatões nas trocas de produtos. Nos círculos viciosos desses sistemas de patronagem, muitos Paumari contraem grandes dívidas e as famílias não conseguem quitá-las ao longo dos anos, mesmo pagando com toda a sua produção. Em razão desse endividamento, diversos Paumari são obrigados a ceder um lago ou uma lagoa para algum não-indígena interessado na sua exploração ou abrir mão da exploração madeireira das florestas.

Nos últimos anos, porém, surgiram diversas restrições à venda ou troca de produtos com os quais os Paumari costumavam ter facilidade de trabalhar, tanto pela fiscalização mais eficaz de diversos órgãos governamentais, quanto pela superexploração de alguns dos recursos explorados. Além disso, a extração da borracha e da sorva entraram numa crise grave no início dos anos 1980, obrigando vários Paumari a buscarem alternativas de produtos que podiam ser comercializados. Assim, muitos começaram a se dedicar mais à agricultura.

Organização social e política
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Os viajantes e outros observadores do século XIX caracterizaram as habitações lacustres da época chuvosa como as moradias típicas dos Paumari, porque chamaram mais sua atenção. Estas balsas ou jangadas com casas flutuavam no meio dos lagos e lagoas com o objetivo de ficar mais ou menos protegidas de insetos como os "piuns". Por isso, também foram chamadas de "flutuantes".

Cada aldeia estava composta de 8 a 15 casas com uma ou duas famílias em cada uma. O lugar do fogo encontrava-se em terra firme, mas nas proximidades da margem do lago. Outras habitações menores da estação seca muitas vezes ficaram despercebidas, como os ranchos simples de folha de palmeira, em forma semicircular, nas praias fluviais.

Contrário à imagem de nomadismo fluvial, Steere também fala de aldeias permanentes, ocupadas na estação chuvosa, onde eram conservadas tartarugas vivas em cercados feitos de estacas.

Hoje em dia, os "flutuantes" representam um tipo minoritário de habitação paumari. Ainda é possível encontrar "flutuantes" no lago Marahã e no rio Tapauá. A grande maioria dos Paumari, no entanto, mora, pelo menos uma parte do ano em casas do tipo regional, o que implica em maior exposição às pequenas "pragas" cotidianas, como os piuns e mutucas.

O tamanho dos grupos locais pode variar de casas isoladas a aldeias com mais de 20 casas.

A organização social e política dos Paumari foi pouco estudada até agora. Steere é o único autor que menciona a divisão dos Paumari em vários clãs.

Os grupos residenciais são ou famílias nucleares ou grupos familiares extensivos (casal, filhos, genros, noras e netos), incluídos, às vezes, também os filhos que um dos pais teve de um casamento anterior.

Os irmãos consanguíneos geralmente não vivem juntos no mesmo grupo residencial depois do casamento, embora procurem construir sua casa perto dos outros. Esta regra, no entanto, não vale para as irmãs. Adultos solteiros costumam viver com a família de um irmão. Jovens que só têm um pai vivo geralmente vivem com ele.

Tradicionalmente, havia preferências de casamento com primos cruzados. Diferente de outras sociedades indígenas na Amazônia, o genro já faz trabalhos para o sogro futuro antes do casamento. As regras de residência pós-núpcial são complicadas: com a família da mulher (uxorilocal) no primeiro mês, depois com a família do homem (virilocal) por mais um mês e, posteriormente, mudanças constantes de até dois anos entre as famílias dos sogros de um e de outro cônjuge até o nascimento do primeiro filho. Estas mudanças podem continuar até o nascimento do segundo ou terceiro filho, quando geralmente o casal opta uma residência própria (neolocalidade). Nestes anos, o casal não precisa morar necessariamente na casa de um dos sogros, mas pode construir a sua ao lado dela. Se uma parte do casal dos cônjuges é órfão de pai, de mãe ou de ambos, as regras de residência pós-nupcial são mais complicadas.

Quanto às fases culturalmente marcadas do ciclo de vida, hoje em dia vale destacar principalmente a mudança das meninas do status de criança para o de adulto. Quando aparece a primeira menstruação, elas têm que se retirar para uma casinha de reclusão construída ao lado da casa da família ou dentro dela. Neste caso, ela é feita apenas por uma grande esteira enrolada em forma de uma tenda cônica. Nesta casinha de reclusão, a menina deve permanecer de sete meses até um ano inteiro, sendo atendida pela mãe ou outros membros da família. Ao contrário de outros povos da região, os Paumari contemporâneos permitem que essas meninas sejam vistas por homens e até serem fotografadas. A fase da reclusão termina com uma festa grande da aldeia inteira que dura vários dias. Para os meninos não existe mais nenhum ritual de passagem, sendo a mudança de voz o indicador de mudança de status de criança para o de adulto.

A organização política dos Paumari está passando por grandes mudanças. Como antigamente eles não conheciam a função destacada de liderança dos grupos locais, havia um tipo informal de chefia a ser assumida pelo mais velho dos casados. Muitas comunidades atuais ainda não têm verdadeiros "caciques" e podem ser caracterizadas como acéfalas. Ao alto grau de mobilidade das famílias e a decomposição e recomposição fácil das comunidades dificultam consideravelmente o estabelecimento de poderes locais. Mas a sedentarização crescente das comunidades, por um lado, e as demandas externas tanto da política indigenista quanto do associativismo moderno, por outro lado, estão mudando esta situação.

Casas e canoas
As casas são do tipo regional, construídas sobre palafitas. Para subir, coloca-se uma escada de madeira ou um tronco com pequenos entalhes, capazes de dar apoio aos pés. As residências podem ter um ou dois compartimentos. Se tiver dois, usa-se um para dormir e se reunir e o outro como cozinha. Este tipo de casa é mais usado na época da cheia, quando se precisa cuidar das roças, enquanto é possível encontrar muitas delas desocupadas no verão.

Os "flutuantes" atuais são balsas com o mesmo tipo de casa, porém sem palafitas. Por causa das toras grossas que as sustentam, eles são de difícil remoção e permanecem amarrados por longas temporadas na beira de lagos, acompanhando somente as mudanças dos níveis de água. Eles podem ser removidos, dependendo da vontade dos moradores, mas trata-se de um empreendimento muito árduo. Este tipo de habitação permanente não impede seus moradores de exercerem suas atividades em terra firme.

Habitações temporárias são pequenos ranchos ou tapiris, construídos principalmente com material de palmeiras, para deslocamentos em curto prazo, seja para as praias fluviais, seja para a coleta de castanha-do-pará ou outros produtos florestais.

As embarcações tradicionais eram canoas de uma só peça, com 3,5 a 4,5 m de comprimento, cortadas rente na frente e com os lados verticais. As pás dos remos eram de forma oval e pontudas. Canoas e remos contemporâneos conservaram estas formas.



Aliança e casamento
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Como é comum na Amazônia, o casamento é concebido como um empreendimento arriscado, mas necessário. Idealmente, os Paumari dizem que é preciso casar-se com um primo “de verdade” ou “legítimo”, isto é, um primo cruzado bilateral, da mesma aldeia ou de um grupo local próximo. Agora, esse ideal ainda é afirmado, mas os casamentos distantes, entre habitantes paumari de regiões diferentes, são muito comuns.

Há basicamente duas formas de iniciar o processo da aliança entre os Paumari. O primeiro, ideal, é o do namoro formal. Antigamente, os casamentos entre primos eram arranjados pelos pais desde o nascimento da criança e eram selados definitivamente no final do rito de puberdade da moça, quando ambos podiam passar a viver juntos na casa dos pais de um ou de outro. Após o ritual, o jovem casal se instalava na casa dos pais do marido ou da esposa e lá passava uma temporada de vários meses ou anos. Após essa primeira temporada, passavam mais um tempo junto dos pais do outro cônjuge, podendo construir sua própria casa só após o nascimento de vários filhos. O homem recém-casado deve a seus sogros, os pais de sua esposa, uma série de serviços pela filha que estes lhe cederam. O casamento era, e ainda é, um processo longo, pois o casal não é considerado estável até gerar vários filhos e o “serviço da noiva” ser amplamente cumprido.

No presente, os casamentos não são arranjados como antigamente e dependem mais da vontade dos jovens. Estes começam a namorar, enviando-se bilhetes e encontrando-se às escondidas. Quando o namoro se torna oficial, passam a se evitar de forma quase caricatural, sem se falar, sem se olhar, sem serem vistos em público etc. Esse período é marcado por uma grande tensão entre as duas famílias implicadas na aliança. Isso dura uns meses até que o casal se junta e a tensão baixa progressivamente. Passam então a viver com os pais de um ou de outro, seguindo o mesmo esquema tradicional de residência alternada seguida de neo-localidade.

Outra forma comum de casamento é a fuga do casal. Casais de amantes, ou jovens solteiros cujos pais não concordam com a união, fogem da aldeia e vão morar em outro grupo local distante, na cidade ou em outra região. Essas uniões são bastante comuns, mas são condenadas e arriscadas já que os pais da mulher podem exigir os filhos do novo casal em contrapartida, pois considera-se isso praticamente como um rapto. De fato, nestes casos, é raro que o serviço da noiva seja cumprido. Quando esses casamentos não dão certo, os filhos são geralmente dados em adoção a seus avós maternos (e/ou paternos).

A adoção de netos por avós é algo marcante na organização social paumari. Trata-se de uma relação central na cosmologia e na mitologia do grupo, que é fundamental para a reprodução interna dos grupos e apresenta uma forma particular de inversão do modelo clássico amazônico da captura de crianças por vingança ou compensação. A relação paradigmática da adoção para os Paumari é a dos netos pelos avós, mas ela também marca a relação entre os xamãs e seus espíritos auxiliares, entre os padrinhos e os afiliados, entre os empregados e seus patrões no contexto econômico, entre os espíritos e as almas capturadas no contexto xamânico etc.


Religião e xamanismo
A religião nativa é um dos aspectos menos conhecidos da cultura paumari. Sob a influência missionária, ela está recuando e até ameaçada de desaparecimento numa série de aldeias. Sabe-se muito pouco da mitologia, do xamanismo e das festas, embora muitas lendas e outras histórias sejam coletadas pelas missionárias do SIL e transcritas para o uso escolar.

Práticas xamânicas ainda existem em muitas aldeias, em geral de forma camuflada, mas já não se fala muito delas. Antigamente, porém, os xamãs eram altamente conceituados nas comunidades e costumavam curar as moléstias sugando a parte do corpo doente. Depois disso, entranhavam-se na floresta, provocando vômitos e então retornando à aldeia com pequenos animais e objetos, alegando terem sido extraídos do paciente no ato da cura (Cf. Felix 1987).

Nos momentos que precedem o ritual de cura, o pajé faz uso do rapé. Este estimulante é preparado com as folhas da vinha Bignomiaceae (Tanaeciuma nocturnum), que têm um gosto amendoado, quando mastigadas. Para preparar o rapé, tiram-se as folhas verdes, que são torradas até ficarem secas, o que dá a base para um pó fino que é guardado num ouriço de castanha-do-pará. Depois, esse pó é peneirado e misturado com rapé de tabaco, preparado da mesma forma. Esta mistura é chamada koribo-nafoni e somente é usada pelos pajés em ocasiões especiais, como, por exemplo, antes do tratamento de pacientes, em rituais para proteger crianças ou nos rituais de puberdade das meninas.

E, a despeito da diminuição do xamanismo, o rapé continuou gozando de popularidade muito grande entre os Paumari. Há dois outros tipos de uso cotidiano. Um é feito de tabaco, às vezes misturado com cinza de cascas de árvores. O outro, chamado kavabo, é feito da casca da virola elongata. Raspa-se a parte externa da casca com um terçado, torrando-a e secando-a por cima do fogo. Depois é pulverizada num pilão feito do ouriço da castanha-do-pará.

O rapé era inalado tradicionalmente por meio de um par de ossos ocos que eram amarrados lado a lado com um fio de algodão. Suas extremidades eram arredondadas igualmente com cera para adaptá-las às narinas. Hoje em dia usam-se também os tubinhos de canetas de que foram tiradas as cargas.

As mulheres geralmente não usam rapé, mas tomam o koribo em outra forma, fazendo um chá da casca da raiz, que é fermentada na água. Este chá produz um efeito de entorpecimento.

Sociocosmologia
A proximidade geográfica, linguística e cultural dos grupos arawá permitiu que se considerasse esses grupos como um conjunto. Até recentemente, esse conjunto arawá tinha sido pouco estudado por etnólogos. Algumas monografias apontavam para um tipo de configuração social parecido com a dos vizinhos Katukina e Pano, isto é, formações fluidas sem fronteiras fixas, formadas por um conjunto disperso de subgrupos nomeados e localizados, idealmente endógamos. Trata-se da configuração sociológica que, autores como Rivet e Tastevin, descreveram como “clãs” e que mais tarde seriam melhor descritos a partir das etnografias sobre a organização social kulina. Essa forma de organização social em subgrupos localizados e nomeados a partir de nomes de espécies animais ou vegetais ficou conhecida com o seu nome kulina: madiha.

As primeiras descrições mais detalhadas que forneciam algum elemento sobre a organização social paumari remontam aos textos de Rivet e Tastevin e Steere. Estes autores são os únicos a descrever os Paumari como divididos em clãs nomeados a partir de espécies animais, e com a expressão “ka-paumari”, tais como o Povo da Lontra (Sabou ka paumari); o Povo do Jacaré (Kasii ka paumari); o Povo do Urubu (Majuri kapaumari) e o Povo da Queixada (Hirari ka paumari).

Hoje não há rastros de uma organização desse tipo e os Paumari não têm memória desses subgrupos. Entretanto, evocam essas divisões quando se referem à segmentações sociocosmológicas, ou seja, a sua visão do mundo e às divisões sociológicas que o organizam. Todas as espécies animais e vegetais, assim como os objetos, são potencialmente humanos e possuem uma forma humana (-kapamoarihi), invisível aos olhos dos Paumari, e que só os xamãs são capazes de enxergar. Elas estão organizadas em grupos ou subgrupos que coincidem em uma larga medida com a lógica do “madiha”. Assim, os subgrupos citados pelos primeiros etnógrafos, como o Povo da lontra (Saba’o kapamoarihi) ou o Povo do jacaré (Kasi’i kapamoarihi) são as “formas humanas” dessas espécies, que são gente e se casam entre si, fazem suas festas e plantam suas roças, assim como o fazem os Paumari. Seguindo essa lógica, todas as entidades que povoam o mundo são potencialmente humanas e sociais, organizadas em subgrupos nomeados, localizados, idealmente endógamos, que se vêem e se percebem como humanas e vêem e percebem os outros como não-humanos (animais, almas ou objetos). Inúmeros relatos contam histórias sobre casamentos fracassados entre "subgrupos" de espécies diferentes e entre humanos e não-humanos.

Assim, mais do que um conceito sociológico fixo, as expressões que os primeiros etnógrafos traduziram como clãs ou subgrupos evocam termos relacionais usados para situar espacial e cosmologicamente diferenças, para estabelecer diferenças em um contínuo relativamente homogêneo de humanidade. Assim, quando os Paumari se referem hoje ao Povo da Lontra, eles estão se referindo à vida social da espécie “lontra” e às suas eventuais relações com a humanidade paumari.

A pessoa
O corpo (abonoi) compõe-se de elementos materiais visíveis: a carne (imani), o sangue (amani), os ossos (jaroni), a pele (asafi). Os elementos imateriais são a sombra (amokhini) que é visível por todos, e dois tipos de imaterialidade: a alma (abonoi ou mao’nahai) e o espectro (baja’di) visíveis em algumas condições pelos xamãs e que se desprendem dos elementos materiais e do invólucro corporal depois da morte.

Esses elementos materiais e imateriais podem passar por diferentes transformações ao longo da vida e após a morte. Após a morte, o espectro permanece vagando na terra à procura de seus parentes. Enquanto a alma segue para o Lago da Renovação, destino pos-mortem dos Paumari, onde todos levam uma vida ideal, dançando e cantando incessantemente, onde reina a fartura, onde não há doenças nem mortes etc.

A alma dos Paumari evangélicos segue para o paraíso cristão, enquanto outras ainda escolhem seguir viagem com os espíritos meteorológicos da chuva ou do sol. Esses espíritos circulam no rio de cima (o céu é um rio que circula no sentido contrário do Purus) e comandam uma grande frota de barcos que asseguram o ciclo das chuvas e das secas no nível terrestre, carregando e descarregando água.


Rituais
Ihinika

No nascimento, a criança paumari tem de ser submetida a uma série de rituais chamados ihinika.

O ihinika consiste na apresentação da alma da criança aos espíritos dos alimentos. Após o parto, mãe e filho não podem consumir nenhum alimento antes de que seja realizado seu ihinika, sob pena de adoecerem muito rapidamente, pois considera-se que os alimentos passam pelo leito materno.

De fato, quando essa proibição não é respeitada, a alma da criança é imediatamente capturada pelo espírito alimentar. A criança paumari, no mundo visível, adoece e pode vir a falecer.

A vida é concebida como uma inevitável sucessão de capturas da alma da pessoa pelo espírito dessas entidades potencialmente humanas. Assim, os rituais têm como função principal a preservação dessa alma para assegurar sua relativa longevidade. Os ihinika são rituais preventivos, procuram evitar que a ingestão de um alimento provoque a doença e/ou a morte. Além disso, o consumo de alimentos ao longo da vida provoca o acúmulo inevitável de resíduos alimentares nos corpos dos vivos, é isso também que provoca o envelhecimento e a morte.

Quando a criança é concebida, ela recebe um primeiro nome, que lhe é dado a partir do nome do alimento ingerido (ou intensamente desejado) pela mãe no dia da concepção ou nos dias consecutivos a esta. Após o parto, a mãe procura se alimentar exclusivamente de caldo de peixe, farinha e peixes considerados “leves”, até o início dos ihinika. Na medida em que estes vão sendo realizados, ela vai reintegrando os alimentos a sua dieta.

Amamajo

A vida feminina é marcada por uma extrema ritualização. Além de ser submetida aos ihinika quando criança, a mulher tem de passar por eles cada vez que dá a luz. Além disso, ela passa por outro ritual, o amamajo, que pode ser considerado como um tipo de ihinika, e que consagra a sua saída de reclusão.

No momento da primeira menarca, a moça paumari entra em reclusão. Ela não pode ser vista pelos homens e deve evitar o contato direto com o chão. Para isso, ela fica protegida debaixo de uma esteira confeccionada especialmente para a ocasião e que respeita sempre o mesmo formato e desenho de ‘rabo de onça’. Quando precisa sair de sua casinha, ela é carregada nas costas por alguém de sua família.

A reclusão pode durar vários meses, porque tradicionalmente a festa que consagra a saída das moças é sempre realizada na mesma época: no início da vazante, o que corresponde ao início do verão amazônico no Purus (maio-junho). Durante esses dias, semanas ou meses, o xamã cuida da moça e supervisiona os cuidados que a família tem de ter com ela: ela não pode ingerir qualquer comida, nem sair sozinha, descalça ou ser vista por homens. Sua pele tem de ficar bem clara, e é por isso que ela procura ficar sempre protegida pela esteira. Quanto mais branca ela fica, mais linda ela estará no dia da sua saída.

Antigamente, os Paumari se casavam nesta mesma ocasião. De fato, durante a noite do ritual, os rapazes devem carregar as moças nas costas, dançando o maior tempo possível. Aquele que aguentava mais tempo com a moça nas costas tinha muitas chances de se casar com ela. Muitas vezes, o casamento era arranjado pelas famílias antecipadamente. Hoje em dia, essa prática foi abandonada, porém, o ritual permanece e os rapazes ainda dançam a noite toda, carregando as novas mulheres da comunidade.

Nessa ocasião, os homens fazem expedições de pesca para garantir a fartura de comida trazendo muitos peixes e tartarugas. Já, as mulheres, preparam os beijus rituais que serão distribuídos aos convidados no final da festa. Antes do início da festa, homens, mulheres e crianças decoram os beijus com carvão e goma de mandioca. Os desenhos representam diversos peixes, espinhos de tambaqui e ossos de peixe-boi, costas de tartaruga e peles de onça. Também fabrica-se o kojahari, mingau de banana, que será servido aos espíritos que visitam os Paumari ao longo da festa.

As melhores desenhistas pintam o corpo das moças com uma mistura de urucum e jenipapo. Os desenhos realizados no corpo da moça não variam, assim como não varia a forma e o desenho do chapéu ritual que simboliza o ‘peito do peixe-boi’.

O peixe-boi é um animal central na alimentação e nas representações simbólicas dos Paumari. Antigamente, quando havia muitos peixes-boi nas águas do Purus e de seus lagos, ele representava a comida por excelência. É sem dúvida o prato mais apreciado junto com as tartarugas e os tracajás. Hoje em dia, esses alimentos escasseiam por causa de sua exploração não-sustentável por pescadores e barcos de pesca comercial, principalmente.

Depois da noite de dança, a moça sai definitivamente da reclusão. Ela se senta em uma esteira, do lado de fora da casa ritual. Os participantes se paramentam como queixadas (com folhas e fibras de palmeiras) e dão um banho nela com água e uma substância mágica que a protegerá contra maus encontros na floresta.

Para finalizar a festa, várias “brincadeiras” são organizadas: a dança do sol, a chegada dos predadores (bonecos ou representações de onça, cobra, sucuri, arraia, morcego) e do branco (Jara) que perseguem a moça e têm de ser dominados e destruídos pelas mulheres. Tratam-se de “brincadeiras” porque elas são vividas com alegria e descontração, mas formam uma parte importante do ritual e sua realização garante também longevidade à moça. No fim, todas as figuras são retalhadas em pedaços miúdos pelos homens.

Assim, termina o ritual amamajo, que representa e assegura o equilíbrio do universo social paumari: fertilidade, longevidade, socialidade e a garantia da alternância das estações são as condições de vida mínimas que devem ser preservadas.

Esse ritual quase desapareceu há meio século atrás. Os Paumari haviam sofrido baixas muito importantes por causa de epidemias e doenças e era difícil se reunir anualmente. Desde a demarcação das terras, o ritual vem sendo organizado regularmente, mesmo que com dificuldades certas vezes, principalmente por causa da falta de motivação e da dificuldade enfrentada pelos homens para pescar ou caçar quantidades suficientes para a ocasião. Na região do Tapauá esses rituais não são mais realizados, principalmente porque não há mais xamãs vivos que poderiam assegurar a sua organização. Mas alguns jovens estão manifestando muito interesse, não somente pela reapropriação da língua nativa, mas também pela retomada dos rituais e do xamanismo tal como ele ainda é praticado nas outras áreas.

Arte gráfica
Os motivos da pintura corporal e dos objetos rituais do amamajo são apenas uma mostra da riqueza da arte gráfica paumari. Esta se manifesta mais comumente na confecção da cestaria, arte exclusivamente feminina.

A cestaria paumari (rabahi) é confeccionada com palha de arumã e o talo de bacaba é usado para tecer os motivos gráficos. A envira também é utilizada, sendo enterrada para adquirir um tom mais escuro. A particularidade da cestaria paumari, além de seus desenhos, é a forma do que os Paumari chamam de “começo” (kamadani) do cesto, uma base quadrada a partir da qual vão tecendo sua estrutura arredondada.

Os desenhos mais comuns são os dos motivos: “rabo de onça”; “costela de tartaruga”; “espinho de peixe”; “costas de jabuti”; “carne de tambaqui”; “espinhaço do peixe-boi”; “pescoço de garça-maguari”, entre outros.

As mulheres também confeccionam para venda anéis de coco, colares de diversas sementes, e outros produtos de palha como abanos, esteiras, tipitis para venda e uso pessoal.

Além dos objetos de uso cotidiano, como remos, canoas, arcos, arpões etc. que também podem ser vendidos, os homens são mestres na arte de esculpir madeira e confeccionam miniaturas de canoas (com todos os instrumentos de pesca), animais, aves e peixes de madeira.

Nota sobre as fontes
Em 2007, a etnóloga Oiara Bonilla defendeu uma tese de doutoramento sobre os Paumari do Médio Purus (nas TIs Lago Marahã e Rio Ituxi) e prossegue sua pesquisa com os Paumari do Lago Marahã e da região do Tapauá. Publicou vários artigos etnográficos, sobre a organização social, a cosmologia, a concepção do espaço e da mobilidade e as relações com as missões evangélicas.

Larissa Menendez da Pontifica Universidade Católica de São Paulo realizou uma pesquisa de doutorado sobre a cestaria e a arte paumari na região do Tapauá. Em 2010, Angélica Maia iniciou pesquisa de doutorado sobre as relaçoes entre os Paumari e seu ambiente aquático. William Chandless, Paul Ehrenreich, Gustav Wallis, e mais recentemente Gunter Kroemer, Mary Ann Odmark, Ghillian Prance, Luciene Pohl e Peter Schröder oferecem informações etnográficas parciais.

A língua paumari, no entanto, foi muito bem estudada e há publicações numerosas e análises detalhadas, acompanhadas de material didático diversificado. Entre elas destacam-se as publicações de Shirley Chapman, Desmond Derbyshire, Meinke Salzer e Beatrice Senn.

FONTE: Universidade Federal de Pernambuco

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